Arquitetura paralela no Progress OpenEdge e PASOE em ambientes TOTVS Datasul modernos

O maior gargalo do Datasul® hoje não é o banco. É a arquitetura procedural herdada do passado.

Existe uma conversa perigosa acontecendo silenciosamente em muitas empresas que utilizam TOTVS Datasul®.

Uma conversa que normalmente começa assim:

  • “o banco está lento”
  • “precisamos aumentar servidor”
  • “o PASOE está pesado”
  • “o OpenEdge não escala”
  • “o ERP trava em horário de pico”

E quase sempre termina com:

  • mais CPU;
  • mais memória;
  • mais VM;
  • mais infraestrutura.

O problema?

Na maioria das vezes…

isso não resolve a causa raiz.

Porque o gargalo frequentemente não está no banco.

Também não está necessariamente no PASOE.

Nem na quantidade de usuários.

O gargalo costuma estar em algo muito mais invisível: arquiteturas modernas rodando em lógica procedural sequencial criada para um mundo que não existe mais.

O modelo antigo funcionava. O problema é que o cenário mudou.

Durante muitos anos, o modelo clássico do Progress OpenEdge fazia sentido.

RUN piFiscal.
RUN piFinanceiro.
RUN piEstoque.
RUN piCRM.

Processamento linear.

Organizado.

Previsível.

E honestamente?

Para a realidade daquela época… funcionava muito bem.

Porque o cenário era outro:

  • poucas integrações;
  • baixo volume simultâneo;
  • desktop local;
  • baixa concorrência;
  • pouca API;
  • quase nenhum mobile;
  • praticamente inexistência de analytics em tempo real.

Mas o ambiente corporativo mudou drasticamente.

Hoje, um único processo do Datasul® pode precisar simultaneamente:

  • consultar estoque em múltiplas empresas;
  • integrar WMS;
  • sincronizar CRM;
  • alimentar BI;
  • responder app mobile;
  • atualizar ecommerce;
  • chamar API fiscal;
  • consolidar pedidos;
  • alimentar DWH.

Tudo ao mesmo tempo.

E principalmente: com baixa latência.

O problema não é “ficar lento”.

O problema é colapsar sob concorrência.

Aqui existe um ponto extremamente importante.

Muitos ambientes parecem saudáveis em homologação.

Poucos usuários.

Baixa carga.

Quase nenhum acesso simultâneo.

Então a arquitetura parece “boa”.

Até entrar em produção.

E aí começam sintomas clássicos:

  • filas;
  • travamentos;
  • lock table overflow;
  • APIs lentas;
  • timeout;
  • consumo excessivo de CPU;
  • saturação de agentes PASOE;
  • workers presos;
  • lentidão “aleatória”.

O mais perigoso?

Muitos desses sintomas aparecem gradualmente.

O sistema não explode imediatamente.

Ele degrada lentamente.

O erro arquitetural mais caro do mundo Progress®

Existe um padrão extremamente comum: usar o PASOE apenas como um “RUN ON SERVER”.

E isso é um desperdício gigantesco.

Porque o PASOE não é apenas um servidor remoto.

Ele é um motor de processamento concorrente.

Mas a maioria dos projetos continua usando:

  • processamento síncrono;
  • chamadas bloqueantes;
  • integrações sequenciais;
  • ETLs diretos no banco;
  • APIs esperando uma rotina terminar para chamar outra.

Resultado:

o ambiente inteiro vira um funil.

O ponto que quase ninguém percebe:

performance não é apenas velocidade individual

A maioria dos desenvolvedores mede: “quanto tempo essa rotina demora?”

Mas arquiteturas modernas precisam medir outra coisa: throughput.

Ou seja:

  • quantas operações o ambiente suporta simultaneamente;
  • quantas integrações consegue processar;
  • quantos requests consegue absorver;
  • quantos workers consegue manter saudáveis.

E isso muda tudo.

Porque muitas vezes:

✔ uma rotina individual continua “rápida”

❌ mas o ambiente inteiro colapsa sob concorrência.

O verdadeiro papel do paralelismo

Muita gente acha que paralelismo serve para: “fazer mais rápido”.

Não.

Isso é consequência.

O verdadeiro objetivo do paralelismo moderno é:

  • distribuir carga;
  • reduzir bloqueio;
  • desacoplar processamento;
  • evitar gargalos sequenciais;
  • melhorar elasticidade;
  • aumentar throughput.

É arquitetura.

Não apenas performance.

O erro mais perigoso: paralelizar sem governança

Agora vem a parte mais importante.

Paralelismo mal implementado pode piorar tudo.

E muito.

Porque paralelismo sem:

  • callback;
  • timeout;
  • controle;
  • logging;
  • correlation-id;
  • tratamento de erro;
  • fila;
  • observabilidade;

vira apenas: caos executando mais rápido.

Esse talvez seja um dos pontos mais maduros da arquitetura moderna no Progress®.

Não basta disparar:

RUN worker ASYNCHRONOUS.

Você precisa controlar:

  • quem iniciou;
  • quem terminou;
  • quanto demorou;
  • quem falhou;
  • qual empresa;
  • qual payload;
  • qual request;
  • qual retorno.

Sem isso, debugging em produção vira pesadelo.

O problema invisível dos ETLs diretos no banco

Essa é uma das discussões mais sensíveis do universo Datasul® moderno.

Muitas empresas continuam permitindo:

  • Power BI;
  • ETL;
  • integrações;
  • ferramentas externas;

acessando banco Progress® diretamente.

E sim…

funciona.

Até o dia que deixa de funcionar.

Porque normalmente essas ferramentas:

  • ignoram regras de negócio;
  • bypassam triggers;
  • fazem leitura massiva;
  • geram contenção;
  • criam lock indireto;
  • degradam throughput.

A sensação inicial é: “ficou mais simples.”

Mas arquiteturalmente isso costuma virar dívida técnica operacional.

O futuro do Datasul® já começou

O ponto mais importante de toda essa transformação é simples:

o Progress OpenEdge não está desaparecendo.

Ele está mudando de papel.

Antes:

  • GUI procedural.

Agora:

  • motor transacional;
  • APIs;
  • processamento distribuído;
  • integração corporativa;
  • serviços;
  • orquestração.

E isso muda completamente o perfil do desenvolvedor valorizado no mercado.

O novo profissional do ecossistema Progress®

O profissional que continuará relevante nos próximos anos não será apenas quem “sabe sintaxe”.

Será quem entende:

  • concorrência;
  • arquitetura;
  • filas;
  • APIs;
  • observabilidade;
  • paralelismo;
  • governança;
  • escalabilidade.

Porque o mercado está deixando lentamente de procurar apenas: programadores de rotina.

E começando a procurar: arquitetos de sistemas distribuídos dentro do ecossistema Datasul.

O ponto que quase ninguém fala

Existe uma frase muito importante aqui: “o PASOE não corrige arquitetura ruim.”

Ele apenas amplifica.

Se o sistema é bem desenhado:

  • escala.

Se é mal desenhado:

  • colapsa mais rápido.

Conclusão

A discussão sobre paralelismo no Progress OpenEdge vai muito além de performance.

Ela fala sobre:

  • maturidade arquitetural;
  • sustentabilidade;
  • governança;
  • futuro do Datasul;
  • capacidade de crescimento.

E talvez a maior mudança de mentalidade seja essa:

o problema moderno do ERP não é apenas processamento.

É arquitetura de concorrência.

Quem entender isso cedo vai construir ambientes muito mais:

  • escaláveis
  • estáveis
  • modernos
  • sustentáveis

E principalmente:

mais preparados para o futuro inevitável das integrações corporativas.

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